segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

E então, que quereis?...

Bom, hoje acordei com um estranho desejo de navegar, algo deveras incomum para quem nasceu preso dentre montanhas numa província esquecida dessa terra continental.. por isso vou navegar pelos poemas do mar.. hoje quero dividir essa linda obra de Maiakóvsky, citada por João Bosco certa vez: deleitem-se:


E então, que quereis?...
Maiakóvski

Fiz ranger as folhas de jornal

abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo

de cada fronteira distante

subiu um cheiro de pólvora

perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos

nada de novo há

no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,

é certo,

mas também por que razão

haveríamos de ficar tristes?

O mar da história

é agitado.

As ameaças

e as guerras

havemos de atravessá-las,

rompê-las ao meio,

cortando-as

como uma quilha corta

as ondas.
(1927)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Hoje fui à uma pequena cidade, com um velho cinema cujo o dono era um senhor argelino cujo nome não perguntei... enfim estava passando o primeiro filme produzido por um certo Godard, chamado Acossado. Um dos primeiros exemplares da Nouvelle Vague, e talvez o melhor filme de seu diretor. Uma obra preciosa, cheia de cortes abruptos, não só entre as cenas, mas entre os sonos e as trilhas. O filme também se destaca por um dos aforismos clássicos, dito pela personagem Patrícia: "Sou triste por não ser livre ou não sor livre por ser triste?". Acossado discute como viver sem medo é ter medo de tudo e como a traição não significa desgostar, assim como dicotomiza a ternura e beleza, da feiura e asco, sem dissociar tudo isso como parte da escatologia da vida humana. recomendo!